sexta-feira, 9 de janeiro de 2015

Palavra do Málaga: "Variações do mesmo tema, sem sair do tom..."


“Não chega ninguém de peso”, “onde estão os medalhões?”, “até agora só apostas”, “time assim vai para lugar nenhum”. Frases desse naipe são recorrentes entre algumas alas de torcedores do Palmeiras. Os mesmos que criticam uma possível “pequenez” alviverde são os que mais disseminam a síndrome de vira-latas, que nada dá certo, que ninguém importante virá e etc. O velho discursinho “Hardy Har Har” de outrora. O texto parece repetitivo, dá a impressão de que já foi lido em outro momento, mas não, são apenas “variações do mesmo tema, sem sair do tom”, como diria o genial Herbert Vianna.

As coisas são tão paradoxais que eu chego a concordar com alguns palestrinos “corneteiros”, mas discordo frontalmente do comportamento por eles exercido. Eu elogio sim a montagem do elenco esmeraldino, são jogadores de bom nível, que chegam para reforçar a base que será mantida de 2014, como Fernando Prass, João Pedro, Nathan, Tobio, Valdivia, entre outros. Os atletas que chegaram até agora se destacaram em seus antigos clubes, com exceção do lateral João Paulo, que era execrado pela torcida do Flamengo (ao estilo Márcio Araújo) e nunca encheu os olhos de ninguém com um bom futebol. De resto, sim.


REFORÇOS DE PESO: CONSENSO ENTRE OS ALVIVERDES
No entanto, o Palmeiras não é cassino para viver de apostas. É preciso que nomes de mais tarimba – como o do inoxidável Zé Roberto – cheguem para dar suporte aos mais jovens, para dar a solidez necessária ao elenco. Isso sem contar na qualidade técnica que os jogadores “de peso” são capazes de oferecer dentro de campo. Trocando em miúdos, como diriam no Vale do Jaguaribe, contratamos inúmeros bons nomes, mas precisamos também de alguns ótimos nomes. Acredito que esse seja o pensamento da grande maioria dos palmeirenses, entre os otimistas, os cornetas, os pessimistas, os esperançosos, os políticos, os amendoins, os organizados, os hardys e afins.

Estive pensando, conjecturando, analisando nos últimos dias (aproveitando a pausa de fim de ano) e percebi que há mais semelhanças, em termos de pensamentos, entre os palestrinos do que se imagina, o que em vários momentos difere é a forma de se expressar. Vejamos:

  • “Palmeiras está ficando bom, mas precisa de nomes de peso”
  • “Se não chegar nenhum jogador de ponta eu vou xingar pra c@%&$#o!”
  • “Os medalhões, cadê? Só apostas não dá, será um novo 2014”
  • “Com uns dois ou três jogadores cascudos, o Verdão sonha com títulos, escrevam!”

Retirei essas quatro frases de postagens e comentários alviverdes de grupos distintos de Whatsapp e Facebook, só para ilustrar. Então façamos o que na língua portuguesa chamamos de "análise do discurso". Os quatro se expressam de formas distintas, mas todos têm o mesmo foco: reforços de alto nível para o time deslanchar. Percebem? Claro que também existem os que concordam com o quarteto, mas o pessimismo ou hardysmo não os permitem vislumbrar, de fato, a chegada de atletas com esse perfil, digamos assim. Mas voltemos às frases. Acredito que a esmagadora maioria verde pense mais ou menos em uma mesma linha que, no meu entender, é a correta. Precisamos, sim, de alguns nomes “de peso” e que assim o Verdão subiria de patamar, saindo do “competitivo” para “candidato” a alguma taça na temporada.


A chegada oficializada de Alexandre Mattos, que não precisará mais usar disfarces ou agir no silêncio da madrugada para não ser notado, enche o palmeirense de esperanças, já que o diretor-executivo é um profundo conhecedor dos meandros dos bastidores futebolísticos, dos atalhos da bola. A torcida não sabe, mas Cícero Souza é um sujeito inteligentíssimo, capacitado e não chega para ser um mero capacho de Mattos. Pelo contrário, Cícero já goza de muito respeito por parte da diretoria e de conselheiros e, por isso, deve somar muito mais do que esperávamos. A dupla está em ação, buscando nomes interessantes para o plantel. Eles sabem também que a torcida está ansiosa por atletas de respaldo, que causem frisson nas arquibancadas.

O ANO ESTÁ APENAS COMEÇANDO
Mas não custa nada relembrar: nós temos apenas, basicamente, o Campeonato Paulista no primeiro semestre a disputar, onde podemos (e devemos) fazer testes, usar o torneio para laboratório, avaliar quem chegou, quem ficou, dar ritmo ao elenco, analisar os setores e, assim, estabelecer um padrão. Ou seja, a temporada vai até novembro, portanto os tão esperados e reverberados “nomes de peso” podem ficar para maio ou junho, dependendo das oportunidades que surjam no mercado. Não adianta é ficar metendo o malho em todo mundo, criticando, xingando, porque aí é jogar contra. O Palmeiras está no rumo certo, sem crise, com dinheiro em caixa pra bancar a folha salarial sem atrasos (um dos únicos no país), trabalhando corretamente, de forma inteligente e profissional. O torcedor só precisa pensar um pouco mais antes de falar...

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